Nas últimas 48 horas, os casos envolvendo jogadores brasileiros com manipulação de resultados apresentaram uma grande reviravolta. Para Lucas Paquetá, do West Ham, da Inglaterra, os sinais foram positivos, enquanto que para Bruno Henrique, do Flamengo, a situação se agravou bastante. Segundo um jornal londrino The Times, com base em uma fonte importante, Lucas Paquetá deverá ser absolvido das acusações, eliminando um peso enorme de sua carreira. O jogador responde a um processo aberto pela Federação Inglesa por violação à regra E5.1, que proíbe tentativas de influenciar, de maneira imprópria, qualquer aspecto de uma partida. As supostas infrações remontam a jogos que ocorreram em diferentes momentos e temporadas passadas, incluindo partidas contra equipes como Leicester e Aston Villa. A decisão oficial da Football Association (FA) era esperada para sexta-feira, mas a divulgação foi adiada. Ao longo do processo se falou até que Paquetá poderia ser banido do futebol inglês e, por extensão, do esporte em todo o mundo. Em razão de tal possibilidade, o jogador caiu de produção técnica, teve a imagem mundialmente abalada, perdeu convocações para a seleção brasileira e, por fim, viu frustrada uma transferência para o gigante Manchester City, de Pep Guardiola. Se realmente for absolvido, se caracterizará uma grande reviravolta, garantindo uma nova chance para dar sequência natural à sua carreira. Tecnicamente, tem grandes virtudes. Se conseguir se recuperar também emocionalmente, poderá ajudar o Brasil na Copa do Mundo do próximo ano. Para Bruno Henrique, o quadro evoluiu negativamente, na verdade se agravou bastante, envolvendo agora a esfera judicial e, em paralelo, a área esportiva. O juiz Fernando Brandini Barbagalo, da 7a Vara Criminal de Brasília, aceitou denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios contra o jogador. De acordo com o magistrado, as investigações “indicam possível intencionalidade do denunciado Bruno Henrique na situação que causou sua punição com cartões durante a partida”. O atleta vai responder pelo crime previsto no art. 200 da Lei Geral do Esporte: “Fraudar, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado de competição esportiva ou evento a ela associado”. A pena prevê de dois a seis anos de prisão. Importante destacar que o juiz rejeitou a denúncia por estelionato, que também foi solicitada pelo Ministério Público. O irmão do jogador, Wander Nunes Pinto Júnior, também virou réu. Ambos têm dez dias para apresentar uma resposta às autoridades. Os elementos informativos indicam existência de conduta criminosa praticada pelo denunciado Bruno Henrique, em conluio com o Wander Nunes. É óbvio que, na prática, não significa que Bruno Henrique será condenado, haverá o trâmite natural do processo, assegurado o sagrado direito de defesa, com a apresentação de provas, indicação de testemunhas e o próprio depoimento do atleta e de seu irmão. O aceite da denúncia, porém, é um sério complicador e ainda um sinal de que realmente o atleta se envolveu na manipulação de apostas para se beneficiar ou para ajudar terceiros. A conclusão demandará tempo e haverá também, por parte dos dois lados, possibilidade de recurso para instâncias superiores, podendo-se concluir que Bruno Henrique terá que conviver por um bom período com esse caso, com influência direta na sua vida profissional. O caso, basicamente, envolve o cartão amarelo recebido por Bruno Henrique no jogo contra o Santos, pelo Brasileirão de 2023. Na ocasião, ele foi advertido duas vezes: no final no segundo tempo, ele agrediu um adversário e tomou amarelo antes de reclamar e ser expulso. Na sequência, órgãos de monitoramento de apostas geraram um alerta para a movimentação no mercado de cartões no período. Isso provocou uma investigação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em Brasília. E mais: houve interceptação de algumas conversas no celular do irmão do jogador apontando que foram feitas apostas combinadas envolvendo o recebimento de cartão amarelo na partida contra o Santos. Bruno Henrique inclusive usou a conta da mulher para fazer mais apostas. Inegavelmente, os casos de Lucas Paquetá e Bruno Henrique são diferentes, o do atacante do Flamengo parece bem mais grave. Independentemente do resultado, a simples suspeita compromete. Pelo status financeiro dos dois atletas, nada justifica. A não ser ganância ou sensação de impunidade. Que venham as sentenças para o bem do futebol!