Xaxufa e Paulinho (de Santos) no Quebra-Mar (Paulo Estevaletto) Do casamento do militar do Corpo de Bombeiros e Salva-vidas, Onofre Barbosa de Vita, com Ruth Gonçalves, oficializado em 9 de maio de 1953, nasceram três filhos: Onofre, Gilberto e Fátima. Gilberto Gonçalves de Vita, conhecido como Xaxufa, era o do meio. Nascido no dia 17 de agosto de 1953, foi na rua Viúva Soares 151 onde ele cresceu e estudou. Apesar da forte ligação com o bairro, o menino do Macuco viveu suas maiores alegrias no Marapé. Xaxufa amava o mar e o surfe. Seguiu os passos do pai e foi salva-vidas em Mongaguá, antes de começar a trabalhar no Porto, inicialmente como bagre, gíria para os estivadores informais. Ficava na “parede”, nos pontos de distribuição pelo cais, em busca de um trabalho na estiva, popularmente chamado de lingada. O portuário cresceu, fez vários cursos pelo Sindicato, trabalhou com empilhadeira, trator e guindaste, tornou-se carteira preta, o sonhado registro profissional. No Porto de Santos fez amigos, entre eles o Alfredo, primo e companheiro nas sacarias nos porões dos navios, casou, construiu sua família, até se aposentar. A ligação com o mar começou muito cedo. Frequentador do Canal 1, Xaxufa se aproximou dos surfistas que se tornariam seus amigos por toda a vida. Melo, Buana, Dirceu Gringo, Fernando Português, Paulinho, Santana, Moisés, João Jerônimo, Xisto, Negada, Escudeiro, Paulo Gordo, Valdirzinho Ratão e Cidão fizeram parte da histórica turma do Quebra-mar, e foi com Melo e Buana que Xaxufa construiu sua primeira prancha feita de isopor e resina no prédio do Buana, fruto do primeiro salário recebido na Casa Neto, por volta de 1969. Filho de militar, Xaxufa enfrentou a resistência do pai, numa época marcada pelo preconceito e perseguição aos surfistas. O amor pelo surfe era maior do que tudo isso. Xaxufa seguiu o sonho da onda perfeita. Com os amigos atravessavam para o Guarujá para se aventurar nas praias mais distantes da ilha. Melo lembra a ligação do amigo com o mar. Numa ocasião que acampavam na Prainha Branca, eles procuravam por Xaxufa, avistado tempos depois nadando no mar aberto, sozinho e distante da costa. No Guarujá, tornou-se amigo inseparável de Paulinho Tomboys e de Dirceu, irmão do Rathos, nativos da praia do Tombo, onde Xaxufa frequentava. Durante trinta e três anos trabalhou no cais santista. Ele dizia, com orgulho que pertencia ao maior porto da América Latina. Amava o porto. Em 1986 nasceu seu filho, Rafael. No ano seguinte casou-se com Miriam, mãe de Rodrigo e Renata. Xaxufa ainda viveu para ver seu primeiro neto, Guilherme, filho de Renata, nascer. A vida plena e feliz foi interrompida pelo agravamento da Hepatite C. A decorrente cirrose o levou à morte em 28 de julho de 2008, em Santos, na Santa Casa. Foi sepultado no Cemitério da Areia Branca, ao lado do pai e da mãe. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal