Os destroços do navio encalhado há 100 anos ficaram visíveis com a baixa da maré (Reprodução / @maltadrone.m7) Quem esteve na orla de Santos nesta sexta-feira (13) foi surpreendido pelo recuo do mar. A maré baixa não só chamou a atenção de quem passava pela praia como revelou os destroços do navio inglês Kestrel, encalhado há mais de 100 anos na Praia da Aparecida, próximo ao Canal 5. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A cena já pôde ser observada em outras ocasiões, como em julho de 2023, julho de 2020 e agosto de 2019. O meteorologista da Defesa Civil de Santos, Franco Cassol, explica que a maré passa por oscilações, influenciadas principalmente por fatores astronômicos, como as fases da Lua e condições meteorológicas. “Agora é a maré de sizígia junto com a alta pressão. Os dois fatores (astronômicos e meteorológicos) estão ajudando a fazer os mínimos de maré ficarem ainda mais baixos do que o normal. Nesta sexta (13), o mínimo de maré foi negativo: -0,14m, segundo os dados da Praticagem. Isso é cerca de um metro mais baixo do que o nível de maré ‘normal’”, pontua. Qual é a história do naufrágio? Em 11 de fevereiro de 1895, o veleiro inglês de três mastros, à deriva durante uma forte tempestade, cruzou a Baía de Santos e acabou encalhando nas areias da Praia da Aparecida. Ali permaneceu, imóvel, por um longo período. Segundo informações da Prefeitura de Santos, o navio ficou seriamente danificado: teve os mastros arrancados, o leme destruído e foi, então, abandonado por seus donos. Transformou-se, assim, em uma espécie de atração fantasmagórica na orla ainda deserta da cidade, no final do século 19. O cenário só começou a mudar quando autoridades portuárias, em conjunto com representantes da companhia inglesa proprietária da embarcação, decidiram desmontar o navio, retirando-o da areia onde permanecia "preso". No entanto, quem pensou que a história do Kestrel havia terminado foi surpreendido décadas depois: a partir da década de 1970, parte do casco voltou à superfície devido a obras de desassoreamento no canal do porto. A partir de 2017, a presença dos restos do navio passou a gerar debates e ganhou destaque como um sítio de interesse arqueológico. Hoje, é oficialmente monitorado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).